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Quarta-feira, 25.03.15

A esquerda e as emergências

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Ainda voltarei a estas muitíssimo lamentáveis declarações de António Barreto, nomeadamente para mostrar até que ponto elas são não só lamentáveis mas reveladoras de muita coisa francamente desagradável.

Para já, queria só deixar uma notinha rápida.

É trágico que os países e os povos só se voltem para a esquerda, ou para a esquerda da esquerda, se preferirem, quando o resto do sistema político os deixa num estado de tal forma catastrófico que já ultrapassa a mera crise e passa ao grau de emergência. É trágico porque coloca os dirigentes da esquerda na posição de ter de gerir situações-limite que, pela sua própria natureza, têm grande probabilidade de correr mal, o que abre as portas a este tipo de baixa demagogia que se vê no vídeo a que acima se liga e no título que o acompanha. Quem ouça os Antónios Barretos deste mundo dizer disparates que Passos e Portas aplaudiriam, sobre "o syriza estar a pôr em crise boa parte da Europa", como se até aqui tudo estivesse a correr às mil maravilhas, como se não houvesse uma multidão de emigrantes à força, outra de desempregados e outra de subempregados, como se não tivéssemos mais dívida, como se o tecido produtivo não tivesse sido em boa medida arrasado, como se ainda houvesse investimento, como se a banca estivesse sólida, como se não se tivesse andado a desbaratar o património de todos para pagar juros exorbitantes, como se as "almofadas financeiras" fossem mesmo boas para nós, como se os nossos gestores premiados e privados não deitassem abaixo empresas que sempre foram sólidas enquanto foram públicas, e podia continuar aqui em como-ses até ficar sem fôlego, quem ouça os Antónios Barretos dizer estes disparates, dizia, e tenha passado os últimos anos escondido debaixo de uma pedra é capaz de imaginar que a crise começou quando o Syriza entrou no governo.

Infelizmente, a verdade é que o Syriza só foi para o governo quando a crise já tinha passado a catástrofe. A crise que outros geraram e que outros geriram, fazendo-a aprofundar-se um pouco mais todos os dias. A crise a que o Syriza está a fazer um esforço sobre-humano, e contra ventos, marés e todas as espécies de sabotagens, para pôr cobro. E a crise que qualquer governo de qualquer partido teria uma gigantesca dificuldade em resolver, mesmo sem ser sabotado por tudo e todos.

Seria bom que, por uma vez sem exemplo, a esquerda, ou a esquerda da esquerda, se preferirem, pudesse pôr em prática as suas ideias em condições de alguma estabilidade. Sem violentas depressões económicas, sem dívidas impagáveis, sem guerras, sem bloqueios, sem sabotagens.

É utopia, bem sei. Mas de que serve a vida sem utopias?

 

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por Jorge Candeias às 22:50


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